domingo, 15 de junho de 2008
O Pai Perdoa
Escute filho:enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto. Os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há poucos minutos, enquanto eu estava sentado, lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E,sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama.
Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir à escola, ralhei com você por não enxugar seu rosto direito com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei furioso com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão.
Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café fora da xícara. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para pegar o trem, você se virou, abanou a mão e disse:"Tchau, papai!" e, franzindo o cenho, em resposta lhe disse: "Endireite esses ombros!"
De tardezinha, tudo recomeçou. Voltei e, quando cheguei perto de casa, vi-o ajoelhado, jogando bolinhas de gude. Suas meias estavam rasgadas. Humilhei-o diante de seus amiguinhos, fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras-se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai!
Mais tarde, quando eu lia na biblioteca , lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei meu olhar do jornal, irritado com a interrupção , você parou à porta: "O que é que você quer?" ,perguntei implacável.
Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou os braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. Assim retirou-se, subindo correndo os degraus da escada.
Bem, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. O que o hábito estava fazendo de mim? O hábito de ficar achando erros, de ficar fazendo reprimendas - era dessa maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o fato é que eu esperava demais da juventude. Eu o avaliava pelos padrões de minha própria vida .
E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite filho. Entrei na penumbra de seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama envergonhado!
É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã serei um papai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair de minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual : "Ele é apenas um menino-um menininho!"
Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amendrotado em seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você. Exigi muito."
Em lugar de condenar os outros, procuremos compreendê-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar e gera simpatia, tolerância e bondade. Conhecer tudo é perdoar tudo."
Como disse o Dr.Johnson: "O próprio Deus, Senhor, não se propõe julgar o homem até o final de seus dias".
Por que faríamos isso,você e eu?
Retirado do livro Como fazer amigos &influenciar pessoas de Dale Carnegie.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Viver como as Flores
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.
Algumas são indiferentes.
Sinto ódio das que são mentirosas.
Sofro com as que caluniam.
Pois viva como as flores!, advertiu o mestre.
Como é viver como as flores? Perguntou o discípulo.
Repare nestas flores, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores."
O Barbeiro
Um homem foi ao barbeiro.
E enquanto tinha seus cabelos cortados conversava com ele.
Falava da vida e de Deus.
Dai a pouco, o barbeiro incrédulo não agüentou e falou:
- Deixa disso, meu caro, Deus não existe!
- Por quê?
- Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis, passando fome!
- Olhe em volta e veja quanta tristeza. É só andar pelas ruas e enxergar!
- Bem, esta é a sua maneira de pensar, não é?
- Sim, claro!
O freguês pagou o corte e foi saindo, quando avistou um maltrapilho imundo, com longos e feios cabelos, barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço.
Não agüentou, deu meia volta e interpelou o barbeiro:
- Sabe de uma coisa?
- Não acredito em barbeiros!
- Como?
- Sim, se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas!
- Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim!
- Agora, você entendeu.
O jovem lenhador
Cortar árvores é um esporte tradicional no Alasca. Há lenhadores famosos, com habilidade e energia no uso do machado. E aprender a ser bom lenhador exige bastante empenho.
Certo jovem não queria pouco. Decidido a tornar-se um grande lenhador, resolveu procurar o melhor de todos os lenhadores do país.
- Quero ser seu discípulo. Quero aprender a usar o machado como você.
O aprendiz dedicou-se, prestou atenção nas lições do mestre, praticando bastante.
Depois de algum tempo, achou que era melhor que o mestre. "Sou mais forte, mais ágil, e já estou sabendo a técnica. Vencerei facilmente o velho lelhador", pensou ele. E desafiou o mestre para uma competição. Quem cortasse mais troncos de árvores no período de oito horas seria o melhor lenhador.
O desafio foi aceito. No dia marcado, o rapaz começou cheio de gás. No maior pique, foi cortando uma tora atrás da outra. De vez em quando ia ver o mestre lenhador e quase sempre o via sentado, com o machado na mão.
"Coitado, ele não dá mais no couro", pensava o jovem, sentindo-se já o novo campeão.
Quando terminou o dia, uma surpresa que ele não esperava: o velho havia cortado muito mais árvores do que seu jovem desafiante.
- Mas como é que pode ? Não é possível! Quase todas as vezes em que olhei, você estava descansando!
O velho sorriu, pegou o machado e mostrou-lhe a lâmina. Afiadíssima.
- Eu não estava descansando, meu caro. Estava amolando o machado. Foi por isso que você perdeu.
