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domingo, 20 de janeiro de 2008

Religião não se discute, se vive!

Jaqueline Negreiros










O fruto proibido - Michelângelo


Somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança, portanto possuímos a divindade dentro de nós."Deus está dentro de vós. Procurai e achareis." Temos poderes criadores, todos somos um. Somos co-criadores do nosso destino. Por isso Deus nos deu nosso maior dom: o livre arbítrio. A liberdade de escolher em criar o bem ou criar o mal.
Deixamos de ter essa unicidade com Deus, a consciência de que tudo faz parte de uma coisa só, devido ao "pecado original" que nos fez acreditar existir um "EU"separado.
Esse EU que pensamos ser nós, é a causa de todo sofrimento humano. Tendo consciência desse fato podemos contribuir,através de nossas escolhas, para criar uma sociedade harmoniosa à caminho da evolução.
A Psicologia nos ajuda a compreender os mecanismos existentes da personalidade, as estruturas do nosso EU, tornando possíveis através deste conhecimento eliminar conscientemente estas estruturas a fim de retornarmos à nossa verdadeira essência.
A Educação deveria estar ciente dessa condição básica do ser humano e orientá-lo para o pleno desenvolvimento de todo seu potencial divino.
A Sociologia, além de analisar os fatos sociais deveria nos servir como termômetro alertando-nos sempre que estivermos no caminho "errado" e nos oferecer uma "luz no fim do túnel"que nos faça retornar ao caminho que nos conduzirá ao nosso grande objetivo: conhecer a Verdade. A Verdade sempre buscada pela Filosofia.
Cabe à História registrar os fatos para serem lembrados a fim de evitar que se cometam os mesmos erros.
Enfim, a razão de existir das diversas ciências é a de nos abrir os olhos para o verdadeiro caminho do Conhecimento que leva à Deus. Todos nós podemos contribuir nessa caminhada. Como a Bíblia mesmo nos diz: "são diversos os caminhos que levam à Deus".
Ter Religião é adotar uma filosofia de vida que tenha como finalidade única fazer o bem. O que mais importa é o modo como você vive, as coisas boas que planta.
Mesmo que não acredite em ressurreição, reencarnação ou em "Paraíso Celeste", pratique somente coisas boas. Cultive o Bom, o Belo, o Justo, porque uma coisa é certa... até para servir de adubo é necessário ter boa qualidade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Para que serve um amigo?

*
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu ultimo livro,”A Identidade”, que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu.
Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que esta sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridas numa chuva de verão.
Veremos:
Um amigo não racha apenas a gasolina.
Racha lembranças, crises de choro, experiências.Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo,empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco.
Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa.
Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola.
Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping.
Anda em silencio na dor, entra contigo em campo,sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas.
Segura a mão, a ausência, segura uma confissão,segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem.
Se tiver um, amém!

Martha Medeiros

domingo, 13 de janeiro de 2008

Ser criança

Jaqueline Negreiros

Era bom ser criança no meu tempo. Hoje não sei como é, mas vejo que há muita realidade e pouca imaginação na vida dos pequenos. A minha infância era lúdica, a de hoje é eletrônica, rápida e cheia de preocupações. O mundo endureceu demais, e já não se faz mais infância como antigamente há algum tempo. Eu brincava na rua, pé no chão, correndo de um lado para o outro, me esfolando inteira... Todo dia tinha, pelo menos, um arranhão novo. Eu conhecia todas as crianças do meu bairro e a gente aprontava muito. Corríamos de cachorro, atropelávamos quem quer que passasse na nossa frente com nossas bicicletas, jogávamos queimada, brincávamos de pique, amarelinha ( com medo de ter que explicar isso), e tantas outras brincadeiras que nos mantinha na rua o dia todo. Hoje a coisa não funciona mais assim. Os brinquedos brincam sozinhos, os jogos são no computador ou no PlayStation, e não é mais necessário que haja outra criança pra brincar junto. A infância de hoje é triste e solitária. Talvez, pelo excesso de informação, não sei, não há mais espaço para flautinhas encantadas, donas baratinhas e rapunzéis. Não há mais príncipe, nem centopéia comprando sapatos, e muito menos cigarras e formigas enfrentando um inverno rigoroso. Temos pais ocupados demais para contar histórias antes de seus filhos dormirem, escolas que preparam para o vestibular desde o maternal .
Lamento muito por isso, lamento pelos meus filhos que, por mais que eu me esforce, não terão, nem de perto, uma infância tão bacana quanto a minha. Eu sei que as coisas mudam, mas é fato que às vezes mudam pra pior!

Festa de casamento

Jaqueline Negreiros

Não existe nada mais triste ultimamente para quem se casa do que fazer uma festa de casamento. A festa termina por ser somente para os convidados, porque para os recém casados é quase um teatro. Depois do esperado e desejado “ sim”, começa o martírio. O fotógrafo praticamente comanda o espetáculo. As noivas são obrigadas a fazer poses em árvores e os noivos perdem toda a festa obedecendo aos comandos dos fotógrafos. Quanto mais convidados se tem na festa, mais fotos você vai tirar, com certeza é algo para se pensar.Parte da culpa também é da equipe de filmagem que quer pegar a todo custo as melhores cenas da festa, nem que para isso precisem passar a festa inteira com a câmera no rosto dos noivos, da vontade de gritar.Quando se percebe os noivos estão esperando a equipe de filmagem e os fotógrafos indicarem o que fazer. Acaba totalmente a espontaneidade. Quando eles mandam cortar o bolo, os noivos cortam, dançar a valsa, os noivos dançam, fazer aquele brinde cruzado que é totalmente infeliz, os noivos fazem. Os noivos acabam perdendo toda a festa para concluir a encenação. De recordação fica só o "trauma" do dia "inesquecível".
E o AMOR??? Onde ele fica registrado??? Cadê os momentos de descontração, a troca de olhar apaixonado, o beijo "roubado", a alegria da comemoração entre amigos? Tudo se perde em meio à tanto formalismo... o brilho é somente das luzes e não dos olhares...
Sinceramente, nos perdemos do significado do casamento.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Mãe, de onde eu vim?

Mesmo antes de ser mãe já me preparava para certas situações que pudessem me trazer constrangimento durante o processo de educação dos meus futuros filhos. Atenta às reclamações e dificuldades que algumas de minhas amigas, já mães, tinham em responder à famosa pergunta pueril: -"Mãe, de onde eu vim? Como fui parar aí? Como saí?" - Construía mentalmente hipóteses e mais hipóteses de esclarecimento para que jamais me encontrasse em tal situação evitando tanto traumas futuros para meus filhos quanto um eterno sentimento de culpa por minha parte.
Após devorar vários livros em busca de auxílio para a elaboração da "resposta perfeita" me dei por satisfeita quando cheguei à conclusão de que quanto mais natural, científica e concisa ela fosse menor seriam as consequências. Pronto! Resolvida a questão...
Meu primeiro filho nasceu e, para meu alívio, foi parto cesárea (não que eu tivesse programado) Já me imaginava com a resposta na ponta da língua: -"Você nasceu da minha barriga por esse corte bem aqui, ó!" e toda orgulhosa de mim...
O primeiro ano se passou... o segundo... o terceiro...e nada das famosas perguntas (menos mal - pensava comigo - quanto maior ele estiver mais fácil será explicar)... Chega o quarto ano... e de repente eis que surge os primeiros indícios da pergunta que não quer calar. Meu filho me rodeia, fica sentado perto de mim um tempão só me olhando, com cara de quem está com uma "baita" dúvida... eu esboço, temerosa, uma frase de incentivo..."Quer alguma coisa filhinho?"...então, tomado pela coragem me diz:
- "Mamãe, se o planeta é uma bola por que a gente anda nele e não cai???"
(Jaqueline Negreiros)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Profissão: Dekassegui

Jaqueline Negreiros


A visão que os dekasseguis tem do Japão se parece muito com a visão de um nortista em relação aos grandes centros urbanos industrializados. Eles deixam sua terra natal, família e amigos na ilusão de que vão enriquecer na cidade grande, conseguir um trabalho honesto com uma boa remuneração e retornar "vitoriosos" para seu lar, mas muitos deles nem sequer conseguem juntar capital necessário para custear a passagem para esse tão sonhado retorno...Sentem-se uns fracassados...Mas onde se encontra o fracasso?
O fracasso consiste em se perder no objetivo esquecendo-se de apreciar o caminho. Em dar demasiada importância ao que não tem importância...ao supérfluo. A incapacidade de "olhar além do que se vê" é o que torna o fracasso real. Chegamos com ideais materialistas, arrogantes, competitivos e nos esquecemos de nos fazer companhia... nos abandonamos...
A verdadeira riqueza se adquire a partir do momento que tiramos o véu que cobre nossos olhos e nos permitimos sentir e ter pensamentos nobres... Viemos de tão longe para levar conosco coisas tão pequenas? Não! Viemos de tão longe para conhecer coisas grandiosas, para adquirir tesouros de valores incalculáveis...Deus nos presenteia à todo momento nos mostrando lindas paisagens que mais parecem paraísos terrestres. Nos envia amigos dos diversos cantos do mundo onde a solidariedade se torna marca registrada pois sabemos que estamos todos no "mesmo barco"...perseguindo nossos sonhos...e permite que nos "encontremos" conosco como se estivéssemos nos "vendo" pela primeira vez...

E isso não vale a pena???

Como diz o poeta "Tudo vale a pena se a alma não é pequena"!

E tudo depende de nossas escolhas..."existem pessoas que vêem o sol como uma simples mancha amarela; e existem pessoas que vêem, numa simples mancha amarela, o sol".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Profissão: Mãe

Uma mulher foi renovar a sua carteira de motorista.Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
-"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.
-"Claro que tenho um trabalho", exclamou.-"Sou mãe".
-"Nós não consideramos "mãe" um trabalho.Vou colocar"Dona de casa", disse o funcionário friamente.
Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica.A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira,segura, eficiente, dona da situação,perguntou:
-Qual é a sua ocupação?
Não sei o que me fez dizer isto,as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:
-"Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas."
A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar e olhou-me como quem diz que não ouviu bem.Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.
-Posso perguntar, disse-me ela com novo interesse,o que faz exatamente?
Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz,ouvi-me responder:
-"Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos ( todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???),o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24 horas).Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou e, pessoalmente me abriu a porta.Quando cheguei em casa , com o título da minha carteira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3anos.Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (um bebê de seis meses), testando uma nova tonalidade de voz.Senti-me triunfante!Maternidade... que carreira gloriosa!
Assim, as avós deviam ser chamadas"Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas".
As bisavós:"Doutora- Executiva- Sênior".
E as tias:"Doutora - Assistente".

Na atual sociedade capitalista, onde o que se valoriza são os "títulos", nada melhor do que classificar as mães no seu devido lugar!!!